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Mães no mercado de trabalho: desafio é vencer preconceito

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Pense em todas as mulheres que você conhece no mercado de trabalho. Agora imagine que daqui a dois anos metade delas terá sido demitida por uma decisão que não diz respeito a qualquer erro profissional, seja técnico ou ético. É isso o que acontece quando uma mulher decide ter um filho. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicada recentemente mostra que quase 50% das mulheres que tiram licença-maternidade não estão empregadas 12 meses após o retorno ao trabalho.

Os dados só comprovam o que as mulheres sentem e sofrem continuamente. E, se tem havido mudanças recentes em uma minoria de companhias, o movimento ainda é incipiente para mudar um cenário com consequências que extrapolam o contexto profissional.

Uma pesquisa do portal VAGAS.com mostrou que 70% das respondentes não pretendem ter filhos nos próximos anos – destas, 43% afirmaram que a decisão é devido à dificuldade de conseguir emprego ou se manter estável no mercado quando engravida ou é mãe de uma criança pequena.

Foi esse tipo de estatística que surgiu na cabeça de Emanuela Araujo quando recebeu o convite para assumir o posto de diretora financeira na Sami. “Assim que dei o ok, descobri que estava grávida. Minha referência era de que os lugares te acham incapaz de assumir um desafio de carreira quando você está gerando uma vida”, conta.

Emanuela não hesitou. Mandou uma mensagem a um dos fundadores da Sami, de quem havia recebido a proposta. “Estou super afim, quero fazer parte, mas preciso te contar que estou grávida”. A resposta foi imediata. “Parabéns pelo bebê! E quando você começa aqui conosco?”

A executiva começou e, durante toda a gestação, esteve envolvida em todas as reuniões e não faltou em nenhuma consulta de pré-natal. Hoje, a pequena Ana Luiza está com um ano e nove meses e a mãe consegue enumerar os pontos em que a maternidade influencia no trabalho.

“Digo que fiquei mais disciplinada do que nunca. Você não para divagar, produz porque tem o foco de ficar integralmente com seu filho depois.”

Já há estudos que comprovam o que Emanuela tem percebido no dia a dia:  as mães desenvolvem habilidades e têm mais sensibilidade para lidar com as pessoas no trabalho. No time que dirige na Sami, há seis pessoas em posição de liderança, quatro delas são mulheres e dentre essas, três são mães. 

Colaboradora da área de relacionamento com o cliente na Sami, Alice Menda chegou à companhia quando o filho Nicholas tinha 11 meses de idade. No primeiro ano de trabalho, no auge da pandemia e em home office, fez inúmeras reuniões com o pequeno no colo. Atualmente, leva o menino semanalmente para consulta com a fonoaudióloga, exatamente no meio do horário do expediente. 

“Faço com tranquilidade, sinto a minha maternidade sendo respeitada. Isso era para ser o normal, até porque executo meu trabalho com competência e realizo todas as entregas. Mas minha experiência anterior foi tão traumática que me surpreendo”, conta.

A história de Alice ilustra de forma nua e crua a pesquisa da FGV que mostra como as mães são expulsas do mercado de trabalho após o nascimento dos filhos. No caso dela, a demissão foi prévia. Assim que Alice contou sobre a gravidez, foi demitida. A empresa pagou o salário dos meses restantes de gestação e a licença-maternidade, mas não a quis mais no quadro de funcionários.

“Foi brutal. Me senti mal profissionalmente, como ser humano”, lembra. “Para mim, a maternidade no mercado de trabalho já começou de um jeito bem zoado. Decidiram por mim o que só eu deveria decidir.”

Escolha de cada uma

Para os pesquisadores, o respeito profissional à mulher que se torna mãe está relacionado prioritariamente a acatar suas escolhas. Pode ser que ela queira se afastar da profissão e passar os primeiros anos com o filho em tempo integral. Pode ser que ela precise ou queira ser mãe e profissional ao mesmo tempo, como é o caso de Alice e Emanuela.

“Amo meu trabalho, faço o que eu gosto, não quero abrir mão disso. E amo minha filha. As duas coisas estão juntas”, diz Emanuela. “Você é mãe 24 horas, não deixa de se preocupar com seu filho porque está fazendo outra coisa de que gosta. Quero que, como mulher, Luiza possa crescer tendo consciência de que tem essa possibilidade de ser feliz sendo mãe e também fazendo outras coisas.”

Direitos adquiridos das mães

Fazer mudar esse cenário mostrado nas pesquisas implica que as empresas se engajem na proposição e manutenção de  políticas e benefícios, como auxílio-creche, canal aberto para que mães possam ter flexibilidade para levar filhos ao médico, extensão da licença-paternidade etc.

Veja quais benefícios já estão previstos em lei: 

Licença-maternidade

A licença-maternidade garante afastamento remunerado por 120 dias – esse período pode ser  estendido para 180 dias nos casos de mães de bebês que tenham sequelas neurológicas. Mulheres que trabalham em empresas que fazem parte do programa “Empresa Cidadã” também têm 180 dias de licença-maternidade. É o caso da Sami. Apesar de a maioria das mulheres começarem a licença na data de nascimento, o benefício pode ser solicitado até 28 dias antes do parto.

Estabilidade 

A mulher tem direito à estabilidade no emprego durante 5 meses após o parto. Como esse período contabiliza os 120 dias de licença, significa que ao retornar ao trabalho a mulher não pode ser demitida antes de que se complete o primeiro mês.

Salário-maternidade

É um direito de toda mulher que se afasta do trabalho em decorrência de nascimento do filho, adoção, e fetos natimortos. O valor do benefício é o salário integral. O auxílio é recebido durante o período da licença-maternidade.

Tempo para amamentação

Após retornar ao trabalho, a mulher tem direito a um tempo para amamentar o filho – dois intervalos de 30 minutos cada durante os seis primeiros meses da criança.

Dispensa para consultas médicas

Durante a gestação, a mulher tem direito a até 6 consultas médicas durante o expediente – ou quantas o médico julgar necessárias. Após o nascimento da criança, a dispensa é de uma vez ao ano para acompanhar o filho em consultas e exames.

Auxílio-creche

Empresas com mais de 30 funcionárias mulheres têm de disponibilizar um espaço para que as mães possam deixar seus filhos de 0 a 6 meses enquanto trabalham. Esse auxílio pode ser oferecido de duas formas: ou uma creche no espaço físico da empresa ou com o pagamento de um valor mensal, definido entre o empregador e a trabalhadora.

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