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Exame: Com aporte de R$ 86 mi, startup Sami vira operadora de planos de saúde

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A startup de saúde Sami, fundada em 2018, anuncia nesta terça-feira, 20, ter recebido um investimento de 86 milhões de reais, liderado pelos fundos Valor Capital Group (Wellhub (antigo Gympass), Loft) e Monashees (Rappi, 99). Também participaram da rodada série A os fundos Canary e Redpoint eventures, que investiram na empresa em março de 2019.

O aporte vai possibilitar que a empresa crie o seu próprio plano de saúde. Quando os sócios Vitor Asseituno e Guilherme Berardo criaram o negócio há dois anos, eles sabiam que queriam reformular o sistema de saúde privado do país, mas para isso precisavam de capital. Então, enquanto uma rodada maior não acontecia, eles decidiram atuar como uma consultoria de inovação e dados para dois planos nacionais, o que lhes permitiu lidar com uma base de 200.000 pessoas e testar sua tese de negócio.

Agora, com os quase 90 milhões de reais na companhia, a dupla de fundadores conseguirá transformar a Sami em um plano de saúde próprio. Na primeira fase do projeto, a healthtech irá atender empresas de pequeno porte e profissionais liberais na cidade de São Paulo. Segundo Asseituno, a transformação da medicina provocada pela pandemia torna o momento ideal para apostar em digitalização da saúde.

Segundo Caio Bolognesi, sócio da Monashees, a motivação dos fundadores vai além do desejo de criar um novo plano de saúde. “Eles estão repensando todos os incentivos ao longo da cadeia de saúde para promover um cuidado melhor aos seus clientes, com um custo muito mais atrativo para as empresas. Uma equação em que todos saem ganhando”, afirma o investidor.

Além dos dois fundadores, outros nomes de peso do mercado se associaram à Sami: Paulo Veras, ex-presidente e fundador da 99; Sérgio Ricardo dos Santos, ex-presidente da Amil; e Alan Warren, ex-vice-presidente do Google, criador do Google Drive e ex-diretor de tecnologia da Oscar Health, operadora digital de planos de saúde americana, que recentemente anunciou sua abertura de capital para o próximo ano.

O modelo proposto pela Sami

O Brasil é o segundo maior mercado privado de saúde do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Quase toda empresa procura oferecer um plano de assistência médica para seus funcionários. Mas, a cada ano, o custo do benefício aumenta. Entre 2013 e 2018, a inflação dos planos empresariais chegou a cerca de 160%.

Com a alta constante, as pequenas e médias empresas, responsáveis pela maior parte dos novos empregos no país, muitas vezes não conseguem bancar um plano. Por isso, elas são o alvo da Sami neste primeiro momento. “São milhares de pequenas empresas contratando, queremos possibilitar que elas tenham um plano e a tranquilidade de não precisar trocar ao final de todo ano”, diz Vitor Asseituno.

O plano da Sami foca em uma rede médica mais enxuta, incentivos à medicina preventiva e um serviço digitalização do histórico médico dos pacientes. “Ter uma rede com 100 hospitais custa caro, só que muitas vezes as pessoas não sabem como escolher um hospital e acabam usando sempre o mesmo”, diz o cofundador.

Com base nessa teoria, a startup aposta em uma rede menor, com cinco redes de hospitais em São Paulo, e no serviço de triagem via telemedicina para direcionar os pacientes ao local mais indicado para atendimento. No restante do Brasil, os usuários do plano terão a cobertura de um seguro viagem.

A empresa também digitaliza o histórico médico de cada paciente, para que todos os profissionais de saúde consigam acessá-lo facilmente. Para incentivar um tratamento mais assertivo, os sócios criaram um modelo em que o médico ganha um valor fixo por paciente, não por procedimento que realiza.

No lançamento do plano, os primeiros usuários terão direito a um ano grátis de Wellhub (antigo Gympass) — rede que oferece acesso a mais de 55.000 academias e 46 aplicativos de saúde e bem-estar.

“É por meio de tecnologia que o mercado de saúde vai se empoderar e Sami está aplicando isso, com transformação digital, trazendo transparência e aumentando a interação dos usuários. Com isso, há ganhos de eficiência para as empresas e para o ecossistema como um todo”, afirma Michael Nicklas, sócio da Valor Capital Group.

Reprodução da matéria publicada na Exame, por Carolina Ingizza, no dia 20/10/2020.

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