O vape, também chamado de cigarro eletrônico ou dispositivo eletrônico para fumar (DEF), não é inofensivo. Esses dispositivos podem liberar nicotina e outras substâncias tóxicas capazes de causar dependência e provocar danos à saúde. No Brasil, a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda desses produtos são proibidos pela Anvisa.
Apesar da proibição, o uso de cigarros eletrônicos continua acontecendo no país, especialmente entre pessoas mais jovens. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que, entre 2019 e 2023, a prevalência de uso diário ou ocasional entre adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal variou de 2,3% para 2,1%.
Mas afinal, o que existe dentro do vape? Quais são os riscos? Cigarro eletrônico causa câncer? Ele ajuda a parar de fumar? E qual é a situação desses produtos no Brasil? É isso que vamos explicar.
Sumário
- O que é cigarro eletrônico?
- O que tem no cigarro eletrônico?
- Cigarro eletrônico faz mal?
- Cigarro eletrônico pode causar câncer?
- Cigarro comum ou cigarro eletrônico: qual faz mais mal?
- Quais são os riscos do cigarro eletrônico para adolescentes?
- Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar?
- Cigarro eletrônico é permitido no Brasil?
- Perguntas frequentes sobre cigarro eletrônico
O que é cigarro eletrônico?
Cigarro eletrônico é um dispositivo eletrônico que aquece uma substância e produz um aerossol que é inalado pelo usuário. Esses aparelhos fazem parte dos chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs).
Eles também são conhecidos como vape, pod, vaporizador, e-cigarette e outros nomes, que podem variar de acordo com o modelo e o formato. Alguns utilizam líquidos, enquanto outros funcionam com cápsulas, sais de nicotina ou até folhas de tabaco aquecidas.
Os dispositivos podem ser descartáveis ou reutilizáveis e apresentar diferentes formatos e sistemas de funcionamento. Apesar das diferenças, todos pertencem à categoria dos dispositivos eletrônicos para fumar.
É importante também diferenciar o aerossol produzido pelo vape da fumaça do cigarro convencional. Embora seja frequentemente chamado de “vapor”, o aerossol dos cigarros eletrônicos pode conter nicotina e outras substâncias potencialmente tóxicas.
O que tem no cigarro eletrônico?
A composição do cigarro eletrônico varia de acordo com o dispositivo e o líquido utilizado, mas muitos produtos contêm nicotina, além de outras substâncias e compostos que podem ser prejudiciais à saúde.
Segundo a Nota Técnica Conjunta nº 233/2025, elaborada por Ministério da Saúde, Anvisa e INCA, os dispositivos mais utilizados no Brasil funcionam aquecendo uma solução líquida que pode conter nicotina, água, aditivos de sabor e aroma, propilenoglicol e glicerina.
O processo de aquecimento também pode gerar ou liberar substâncias potencialmente tóxicas. Entre os compostos encontrados em emissões de cigarros eletrônicos estão:
- formaldeído;
- acroleína;
- metais pesados;
- compostos orgânicos voláteis;
- outros produtos químicos.
A composição pode variar bastante entre dispositivos. Por isso, não é possível considerar que todos os vapes tenham a mesma quantidade ou concentração de cada substância.
Além disso, não ter nicotina não significa necessariamente que o produto seja seguro. A Anvisa esclarece que os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos independentemente de sua composição ou finalidade.
Cigarro eletrônico faz mal?
Sim. O cigarro eletrônico faz mal à saúde e não deve ser considerado uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional.
O INCA afirma que os dispositivos eletrônicos para fumar contêm substâncias tóxicas associadas a câncer e doenças respiratórias e cardiovasculares. A maioria também contém nicotina, uma substância que causa dependência.
Entre os riscos associados ao uso estão:
- dependência de nicotina, especialmente nos produtos que contêm a substância;
- danos ao sistema respiratório;
- efeitos sobre o sistema cardiovascular;
- exposição a substâncias tóxicas;
- risco de intoxicação;
- exposição de pessoas próximas às emissões do dispositivo.
A nicotina também pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial. O INCA destaca ainda que o uso de nicotina pode prejudicar o desempenho e a recuperação durante a prática de exercícios.
Os efeitos de longo prazo de todos os tipos e modelos de cigarros eletrônicos ainda não são completamente conhecidos. Isso não significa que sejam seguros. Pelo contrário: já existem evidências suficientes de danos à saúde para que órgãos como Anvisa e INCA recomendem não utilizar esses produtos.
Cigarro eletrônico pode causar câncer?
O uso de cigarro eletrônico pode expor o organismo a substâncias com potencial cancerígeno. Por isso, não é correto considerar o vape livre de risco de câncer.
O INCA afirma que os dispositivos eletrônicos para fumar contêm substâncias tóxicas que podem causar câncer, além de doenças respiratórias e cardiovasculares.
No entanto, é importante fazer uma distinção: as evidências sobre os efeitos de longo prazo dos cigarros eletrônicos ainda estão em desenvolvimento, e não é adequado atribuir ao vape exatamente o mesmo perfil de risco de câncer do cigarro convencional.
Isso não muda uma informação essencial: o cigarro eletrônico não pode ser considerado seguro e sua utilização expõe o organismo a substâncias potencialmente nocivas.
Cigarro comum ou cigarro eletrônico: qual faz mais mal?
Não é adequado considerar o cigarro eletrônico uma opção segura em comparação ao cigarro convencional. Os dois apresentam riscos à saúde e podem causar dependência de nicotina.
O cigarro convencional produz fumaça pela combustão do tabaco, enquanto o cigarro eletrônico produz um aerossol por meio do aquecimento de líquidos ou outras substâncias. Os produtos são diferentes, mas isso não torna o vape inofensivo.
O INCA considera nocivos tanto os cigarros convencionais quanto os dispositivos eletrônicos para fumar.
Além disso, muitas pessoas utilizam os dois produtos simultaneamente. Nesse caso, a substituição não acontece de fato e a exposição a substâncias nocivas permanece.
Por isso, se o objetivo é cuidar da saúde ou parar de fumar, o caminho recomendado é buscar ajuda para interromper o uso de produtos de tabaco e nicotina, em vez de simplesmente trocar um produto por outro.
Quais são os riscos do cigarro eletrônico para adolescentes?
Adolescentes são especialmente vulneráveis aos efeitos da nicotina, que pode causar dependência e afetar o desenvolvimento do cérebro.
O uso de cigarros eletrônicos também está associado à maior probabilidade de iniciação ao cigarro convencional. Uma revisão sistemática e meta-análise disponível no repositório do INCA encontrou associação entre o uso de cigarros eletrônicos e maior risco de experimentação e de uso atual de cigarros convencionais.
No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 mostraram que a maior prevalência de uso atual de DEF estava entre pessoas de 15 a 24 anos, faixa em que a prevalência foi de 2,38%.
Sabores, formatos variados e estratégias de divulgação podem contribuir para tornar esses produtos mais atrativos ao público jovem. Por isso, a prevenção da iniciação ao uso de nicotina é uma das preocupações das políticas de controle do tabagismo no país.
Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar?
Não há cigarro eletrônico aprovado pela Anvisa para o tratamento do tabagismo.
A Anvisa informa que os cigarros eletrônicos não são aprovados para ajudar pessoas a parar de fumar e que o uso desses produtos pode manter a dependência de nicotina.
Para quem deseja parar de fumar, existem tratamentos específicos e acompanhamento profissional. No Brasil, o SUS oferece tratamento gratuito para cessação do tabagismo, e a pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde ou ligar para o Disque Saúde, 136.
O tratamento pode envolver acompanhamento profissional e estratégias específicas para lidar com a dependência de nicotina. Por isso, não é recomendado substituir o cigarro convencional pelo vape por conta própria com a intenção de parar de fumar.
Cigarro eletrônico é permitido no Brasil?
Não. A comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil, e essa proibição foi ampliada e atualizada pela Anvisa em 2024.
A RDC nº 855/2024 mantém a proibição e estabelece que é proibido fabricar, importar, comercializar, distribuir, armazenar, transportar e fazer propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar.
A norma também reforça a proibição do uso desses dispositivos em recintos coletivos fechados, públicos ou privados.
É importante fazer uma distinção: o uso individual do cigarro eletrônico não foi proibido pela RDC 855/2024. A própria Anvisa esclarece que a norma proíbe as atividades relacionadas à fabricação, importação e comercialização, enquanto o uso em ambientes coletivos fechados é vedado pela legislação.
Mesmo assim, a Anvisa recomenda fortemente que esses produtos não sejam utilizados devido aos riscos à saúde.
Em junho de 2026, uma operação conjunta da Anvisa e da Receita Federal apreendeu mais de 25 mil dispositivos eletrônicos para fumar comercializados ilegalmente no país, reforçando que a proibição continua vigente.
Perguntas frequentes sobre cigarro eletrônico
Vape faz mal?
Sim. O vape pode expor o organismo à nicotina e a outras substâncias tóxicas. O uso está associado a riscos para a saúde respiratória e cardiovascular e à dependência de nicotina.
Cigarro eletrônico tem nicotina?
Muitos cigarros eletrônicos contêm nicotina, inclusive em diferentes concentrações e formas, como sais de nicotina. Existem dispositivos que alegam não conter a substância, mas isso não significa que sejam seguros.
Cigarro eletrônico causa câncer?
O uso pode expor a pessoa a substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas. O INCA afirma que os cigarros eletrônicos contêm substâncias tóxicas associadas ao câncer. Os efeitos de longo prazo de todos os dispositivos ainda estão sendo estudados.
Vape é menos prejudicial que cigarro?
Cigarro eletrônico e cigarro convencional são produtos diferentes, mas ambos apresentam riscos à saúde e podem causar dependência de nicotina. O vape não deve ser considerado uma alternativa segura ao cigarro convencional.
Cigarro eletrônico ajuda a parar de fumar?
Não existe cigarro eletrônico aprovado pela Anvisa para o tratamento do tabagismo. Quem deseja parar de fumar pode procurar atendimento no SUS, que oferece tratamento gratuito.
Cigarro eletrônico é proibido no Brasil?
Sim. A fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos pela Anvisa. O uso em recintos coletivos fechados também é proibido.
Como parar de usar vape?
Parar de usar vape é um processo que exige acompanhamento e, acima de tudo, acolhimento sem julgamentos.
Você não precisa atravessar esse momento sem apoio. Se você tem dificuldade para interromper o uso, especialmente quando há dependência de nicotina, procure ajuda profissional.
Na Sami, você pode conversar diretamente com o seu médico pessoal e com a sua equipe de saúde. Juntos, vocês avaliam a sua rotina, tiram dúvidas e definem com segurança qual é o seu próximo passo.
Se for necessário um programa complementar de cessação do tabagismo, o seu médico pessoal também orienta sobre as melhores opções e encaminhamentos.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA): https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/tabagismo/dispositivos-eletronicos-para-fumar (Acesso em 2026-09-16)
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – RDC nº 855/2024: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-855-de-23-de-abril-de-2024-555896328 (Acesso em 2026-09-16)
Escrito por: Editor Técnico da Sami
Revisado por: Conselho Editorial Sami
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